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Arquitetura, patrimônio e memória social: experiências e práticas em curadoria

Paulo Lima e Nazaré Brasil trataram de temas como arquitetura e memória social em suas respectivas experiências com a Cia. Pessoal do Faroeste e o Centro Cultural da Ocupação São João

Um dos bons exemplos existentes em São Paulo de grupos que pensam os elementos de arquitetura, patrimônio, memória social e práticas de curadoria é a Cia. Pessoal do Faroeste e o Centro Cultural da Ocupação São João.

Em formação realizada na segunda feira (08/06) com os Jovens Monitores/as Culturais do Museu da Cidade e Arquivo Histórico, Paulo Lima apresentou os principais objetivos da companhia, como inclusão da cultura na agenda do desenvolvimento social, valorização das manifestações culturais como fator de consolidação da identidade de um povo, promoção do resgate das memórias da região do centro de São Paulo, entre outros.

Arquitetura, patrimônio e memória social
Arquitetura, patrimônio e memória social

Na história da Cia. Pessoal do Faroeste, que em 2015 completou 17 anos, permeiam elementos de pesquisa da vida social e política do povo brasileiro, com o olhar ampliado no imaginário popular e cultural, tendo a cidade de São Paulo, mais especificamente o centro, como elemento a ser preservado e valorizado em suas múltiplas formas.

Nesse sentido, Paulo Lima conversou com os jovens sobre seu teatro democrático: o público frequentador não tem obrigatoriedade de pagar a entrada, contribuindo ao final com o quanto puder. A Cia. preocupa-se, antes de realizar seus espetáculos, desenvolvê-los tendo como base o diálogo com produções acadêmicas para orientar o processo, tecendo uma ampla relação com a região onde a Cia. se instala, além de trazer temas sociais.

Foi assim com “Luz Negra”, musical sobre região da Luz e a Frente Negra Brasileira em São Paulo; “Trilogia Degenerada”, peças que trazem temas como eugenia (limpeza racial e étnica) e a transformação da sociedade através dos acontecimentos do século XX; e “Homem não entra”, que retrata o dia 30 dezembro de 1953, quando Jânio Quadros, prefeito da cidade de São Paulo na época, expulsou do bairro do Bom Retiro mais de mil prostitutas que se abrigavam na Rua do Triunfo e adjacências, local em que a Cia. Pessoal do Faroeste está instalada.

Dialogando com esses temas, na parte da tarde, Nazaré Brasil apresentou aos jovens o Centro Cultural da Ocupação São João, grupo horizontal que se reuniu a partir do encontro de moradores e moradoras de ocupações e ativistas culturais no fim de 2010. Desde então, o grupo vem construindo ações culturais que possam criar uma via de mão dupla entre cultura e luta, valorizando as próprias relações humanas e as expressões individuais que buscam fortalecer os laços de comunidade.

Centro Cultural da Ocupação São João recebe jovens monitores/as
Centro Cultural da Ocupação São João recebe jovens monitores/as

O Centro Cultural da Ocupação São João é outro exemplo das ocupações que estão presentes na memória social dos moradores do centro, trazendo um conceito arquitetônico e de patrimônio próprios. A palestrante, que está na linha de frente deste processo, mostrou as principais atrações e espetáculos deste centro, que tem hoje como um dos maiores eventos o “Café Imaginário”, que ocorre a cada dois meses e cujo objetivo é provocar a todos, em especial aos moradores da ocupação, a reflexão coletiva dos temas abordados, a fim de compartilhar impressões, dúvidas e experiências em relação às transformações políticas e sociais do mundo de hoje.

Saiba mais:
Centro Cultural da Ocupação São João
Cia. Pessoal do Faroeste

Foto de destaque: Centro Cultural da Ocupação São João (Fernando Siviero)