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Expressões, orientações e identidades de gênero: jovens monitores/as visitam Museu da Diversidade e Centro de Referência e Defesa da Diversidade

O dia de formação contou com vivências e experiências relacionadas ao tema

A manhã da segunda-feira (05/10) dos/as jovens monitores/as culturais das Bibliotecas Públicas, do CCJ – Centro Cultural da Juventude e do Museu da Cidade e Arquivo Histórico foi de vivência no Museu da Diversidade, localizado dentro da estação República do metrô, em São Paulo.

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Foto: José Cordeiro

O educador Jefferson Mateus acolheu os/as jovens monitores/as dentro do museu e iniciou sua fala sobre a história e os principais objetivos do espaço: “preservar o patrimônio sócio, político e cultural da comunidade LGBT brasileira, por meio de referências materiais e imateriais, com vistas à valorização e visibilidade da diversidade sexual, contribuindo para a educação e promoção da cidadania plena e de uma cultura em direitos humanos”.

Jefferson contou um pouco da história recente do museu, que, com apenas três anos de existência, já recebeu mais de 100 mil visitantes em seu espaço expositivo, tendo uma média de público considerada alta para este tipo de equipamento cultural.

Jovens perguntaram se o museu realiza formações/atividades fora do espaço e Jefferson esclareceu que atualmente há um grande trabalho para integrar os diversos movimentos e que o museu tem uma atuação intensa de formação junto a colégios do entorno.

De forma fluida e descontraída, o educador abordou temas relacionados à orientação sexual e identidade de gênero. Retomou o histórico das diversas nomenclaturas relacionadas ao movimento da diversidade de gênero e sexual, afirmando que talvez, atualmente, a sigla que mais represente essa diversidade seja LGBTT (gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros).

Fazendo a relação com a mostra atual do museu, Jefferson trouxe aos jovens um de seus objetivos: “apresentar um panorama contemporâneo de projetos culturais inovadores que tenham como tema a diversidade relacionada aos gêneros, às identidades de gênero e às orientações sexuais”, afirmou. Em sequência, puderam apreciar as obras da mostra, percorrendo o espaço do museu.

Juventude, Diversidade e Cultura LGBT

No período da tarde, a formação ocorreu no Centro de Referência e Defesa da Diversidade (CRDD), serviço mantido pelo Grupo Pela Vida/SP, em parceria com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) do Município de São Paulo. O centro oferece acolhimento e aconselhamento jurídico gratuito à população LGBT, a pessoas que convivem com o vírus HIV e a profissionais do sexo. Além disso, todas as quintas-feiras, ocorrem aulas de um cursinho popular no espaço e diversas palestras e oficinas sobre o tema da diversidade.

Após a acolhida no espaço, Luiza Coppieters, professora, filósofa e ativista trans, abordou temas sobre a condição dos gêneros ao longo da história e afirmou que a luta da população LGBT é uma luta de poderes. O que foge à lógica heterossexual e machista acaba sendo marginalizado em menor ou maior grau, a depender do nível de estranhamento. “A cultura é fundamental para entendermos como estas relações se dão, pois, o que consideramos mais comum na nossa sociedade é o que está mais enraizado em nossa cultura”, afirmou Luiza.

Fernanda Nigro, defensora dos direitos LGBT, apresentou as principais atividades do CRDD e falou sobre os direitos conquistados nesta temática: o Decreto Municipal nº 51.180/2010, que garante a utilização do nome social adotado por travestis e transexuais nos serviços municipais da cidade de São Paulo; a Lei Estadual nº 11.199/2002, que proíbe a discriminação de pessoas com HIV em São Paulo; e Lei Estadual nº 10.948/2001, que pune administrativamente a prática de discriminação em razão de orientação sexual.

Para finalizar o dia de formação, Bruna Valim e Taís Azevedo, ambas atuantes no CRDD, encerraram com uma dinâmica e agradeceram a presença de todos e todas. Elas presentearam os/as jovens com a cartilha Direitos Humanos e Cidadania PositHIVa, elaborada pela equipe do CRDD, que traz orientações quanto aos direitos à diversidade e os canais para denunciar violadores desses direitos.

Para saber mais:

Museu da Diversidade

Facebook do Centro de Referência e Defesa da Diversidade