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Monitores/as culturais conhecem Fomentos à Dança e às Novas Linguagens em visita ao Centro de Referência da Dança

Dando continuidade às discussões sobre o Núcleo de Fomentos Culturais, a juventude do Programa Jovem Monitor Cultural desenvolvido pelo Instituto Pólis visitou o Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo (CRDSP) no dia 06 de julho.

Um dos objetivos da formação era conhecer a experiência dos Fomentos à Dança e às Novas Linguagens. O CRDSP possui mais de 70 anos de história e é referenciado como a antiga Escola Municipal de Bailado. Os/as jovens visitaram o espaço e foram recebidos/as por Hélvio Tamoio, vice-presidente da Cooperativa Paulista de Dança e coordenador geral do centro, e por Marcus Vinicius Moreno e Nascimento, coordenador do Programa Municipal de Fomento à Dança.

A juventude do programa também pôde conhecer o projeto “Mapa da Dança da Cidade de São Paulo“, iniciativa realizada pela Secretaria Municipal de Cultura, por meio do portal SPCultura, e a publicação virtual Conectedance. A intenção é levantar e agrupar o maior número de ações e fazedores/as de dança na cidade, se tornando uma grande agenda da dança de e para toda São Paulo.

O vôo da Sansacroma e a cozinha performática de Marcos Moraes

Em seguida, foi apresentado “A dança da indignação”, fragmento de uma pesquisa realizada há dois anos e meio pela Cia. Sansacroma e que busca, na dança, referências para abordar questões populares partindo de territórios periféricos. A companhia – cujo nome é inspirado em um pássaro de uma lenda sul-africana – nasceu em 2002 nos bairros Capão Redondo e Jardim Ângela, na zona sul, e trabalha com questões raciais, surgindo da vontade de descentralizar a arte e a dança contemporânea.

Gal Martins, diretora da companhia, compartilhou as referências não apenas da pesquisa, mas dos trabalhos desenvolvidos pelo grupo, contemplado em cinco editais do Programa de Fomento à Dança da cidade de São Paulo e em diversas outras políticas públicas culturais. Atualmente desenvolve trabalhos com usuários/as de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) no Capão Redondo.

O coreógrafo, intérprete-criador, bailarino e ator Marcos Moraes, do projeto Cozinha Performática, falou sobre os avanços e desafios do Programa Municipal de Fomento à Dança, criado através da Lei 14.071/05 após a pressão de diversos grupos culturais. “A Lei de Fomento à Dança é limitada a um pensamento, a uma forma de fazer [dança], mas que foi muito importante e gerou uma série de conquistas, que foram sendo ampliadas”.

O bate papo também contou com a presença do jovem monitor cultural Cleber Vieira, atuante no Núcleo de Fomentos à Dança e intérprete-criador da Com[som]antes Cia. de Arte. “Acho que lá [no Núcleo de Fomentos à Dança] estou aprendendo muito e tendo a oportunidade de conhecer projetos e ver como funciona a máquina pública para nos inserirmos nesse meio, porque realmente é uma dificuldade”.

 

Ampliando as artes: o Núcleo de Fomentos às Novas Linguagens

Mas não seriam apoiadas apenas as artes como o teatro e a dança. Eis que é formulado no final de 2014 o Núcleo de Fomentos às Novas Linguagens, resultante do movimento #ExisteDiálogoemSP, programa da Secretaria Municipal de Cultura (SMC) destinado à construção colaborativa de políticas públicas e proposto pelo então secretário Juca Ferreira, em 2013.

Foi criado, então, o primeiro edital de Fomento ao Circo, onde foram contemplados 25 projetos, sendo: 7 projetos de circo itinerante, 11 projetos de grupos circenses e 7 projetos de artistas circenses. Atualmente o edital caminha para sua segunda edição.

“Também tínhamos um entendimento de que há pouco apoio e visibilidade pra essa linguagem”, explica Kéroly Gritti Fontalva, coordenadora do núcleo. “É uma classe que ainda batalha muito na ponta, mas que não tem muito reconhecimento e tem uma organização muito específica por conta de ser itinerante”.

Para o artista circense Ramon Marambio, do Circo Marambio, cujo espetáculo Histriões Saltimbancos foi contemplado pelo Fomento ao Circo, este é um dos editais voltados à arte circense mais flexíveis que existem. “Há artistas de circo que moram no fundo do circo, dentro de um trailer e que não possuem comprovante de endereço. A Prefeitura está colaborando de verdade para entender que é uma outra galera. A visão de mundo é diferente”.

Outra iniciativa criada em 2014 foi o edital Redes e Ruas, que visa a seleção e apoio de projetos de inclusão, cidadania e cultura digital da cidade de São Paulo. O edital, que contabiliza 59 projetos aprovados, é resultado de uma parceria entre as Secretarias de Cultura, Direitos Humanos e Cidadania e a Secretaria de Serviços. As três secretarias integram um grupo técnico para pensar a ocupação dos Telecentros, Pontos de Cultura e de Praças do Programa WiFi Livre SP.

Para Kéroly, a iniciativa é “inaugural” e “inovadora” e propõe um novo entendimento de diálogo entre a política pública, a gestão e os coletivos culturais. “Nunca três secretarias tinham sentado pra pensar uma iniciativa. Esse grupo técnico trabalha junto até hoje”.

Os integrantes do coletivo multicultural Lado Sujo da Frequência estiveram presentes para compartilhar as experiências no edital Redes e Ruas, do qual foram contemplados pelo projeto Mecanismos de Evolução, que ministra oficinas de audiovisual para crianças no Morro Doce, extremo da zona oeste de São Paulo.

De acordo com Zinho, integrante do coletivo, as leis que incentivam a produção audiovisual são de nível federal e muito burocráticas. “Para concorrer a um edital da ANCINE, tem que ter uma produtora com cadastro, uma burocracia que ainda não nos atende, mesmo com cinco anos de coletivo. Os editais municipais de Novas Linguagens deram essa abertura, chegaram para nos fortalecer”.