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O palhaço e o lambe-lambe: formação em linguagens ampliam repertório de Jovens Monitores/as Culturais

Marco Guerra e Raul Zito relataram suas experiências e aproximaram os jovens de suas linguagens, palhaço e lambe-lambe, respectivamente

“O que é o riso? Será só expressão de felicidade?”

Partindo desta perspectiva, o ator, palhaço e arte-educador Marco Guerra, nutrido dos grandes embates filosóficos que perpassam Aristóteles na Grécia Antiga, chegando à França do século XIX – com o trabalho Sobre A Essência do Riso, de Baudelaire, atualizou os Jovens Monitores/as Culturais do CCJ – Centro Cultural da Juventude sobre seu ofício, tecendo uma reflexão sobre a pedagogia do palhaço.

Para o palestrante, a pedagogia do palhaço tem como valores a transgressão, a inversão e o corpo jogador. Nesta pedagogia, são trabalhadas constantemente a alteridade (se pôr no lugar do outro), a humildade e o diálogo. Explicou que todos têm palhaços dentro de si e que a função de quem trabalha com arte-educação é despertar o interesse, sendo o arte-educador um emancipador e um transgressor. O riso, portanto, não reflete apenas a expressão de felicidade, mas pode ser ferramenta útil de transgressão.

Marco Guerra conversa com jovens monitores/as culturais do CCJ - Centro Cultural da Juventude
Marco Guerra conversa com jovens monitores/as culturais do CCJ – Centro Cultural da Juventude

Com uma proposta similar, Raul Zito apresentou sua experiência e trabalhos com lambe-lambe em oficina posterior afirmando um objetivo final para tal arte. Dentre os principais trabalhos do artista, destacou aos jovens o graffiti de Carolina Maria de Jesus, na frente da sede do grupo afro Ilú Obá de Min; e o graffiti Cingapura, realizado no Piqueri.

Ao final da formação, Zito falou sobre procedimentos para fazer um lambe-lambe, como edição e captura de imagem, formas de impressão (tinta, papel, etc), como colar as imagens e finalizar o processo.

Raul Zito e a arte do lambe-lambe
Raul Zito e a arte do lambe-lambe

Para encerrar, os jovens falaram um pouco de sua experiência com graffiti, ilustrações, pinturas. Zito ressaltou que, além dos resultados de uma produção artística, há um caráter muito importante da arte que é o autoconhecimento e como ela amplia a visão não só do público, mas sobretudo de quem está produzindo. Os jovens foram convidados a visitarem junto a Zito a Exposição Fotográfica Mulheres Livres: Imagens Insurgentes, da fotógrafa feminista Elaine Campos, realizada na Ação Educativa.

Saiba mais:
Pedagogia do Palhaço; Portfólio de Raul Zito

Foto de destaque: Arte Fora do Museu