Protagonismo em movimento: jovens elaboram propostas para transformar a educação da cidade de São Paulo

Jovens monitores/as conduzem grupos de estudantes em imersão sobre intolerância e sistema educacional brasileiro no CEU Cidade Dutra

por Helisa Ignácio

O Programa Jovem Monitor/a Cultural foi convidado, por meio da Secretaria Municipal de Educação e da Secretaria da Pessoa com Deficiência, a participar do Scholas Cidadania, projeto argentino que mobiliza estudantes de diversas escolas privadas e públicas das mais variadas vertentes e localidades sobre um tema do cotidiano dos alunos. Os estudantes paulistas levantaram a Intolerância – racial, gênero, religiosa e social e o Sistema Educacional e seus desafios na cidade de São Paulo como temas essenciais para pensarem propostas.

A semana de imersão contemplou atividades diversas, com variadas linguagens e vivências. O tom do trabalho realizado pelos 300 estudantes, 28 jovens monitores/as culturais e demais facilitadores foi, definitivamente, a diversidade. Se, até então, os encontros que aconteceram no CEU Cidade Dutra em outubro pareciam impensáveis, somente por meio deles que foi possível pensar em transformação para as escolas da cidade de São Paulo.


No primeiro dia, os estudantes construíram a Árvore das Causas, por meio da qual refletiram sobre as problemáticas escolhidas, considerando suas possíveis causas e consequências e, assim, elaboraram hipóteses para trabalharem. O dia seguinte foi para que investigassem mais a fundo tudo o que havia sido levantado: além das pesquisas, elaboraram os instrumentos de coleta de dados e as perguntas para os especialistas com quem conversariam.

No terceiro dia, os alunos puderam buscar mais a fundo os dados sobre as suas temáticas: os grupos se dividiram para ir a campo fazer as entrevistas, bem como para participar das rodas de conversa com especialistas.  Qualidade e infraestrutura educacionais, estatísticas da educação formal, bullying e cyberbullying, acessibilidade, negritude e violência, questão de gênero e funk, intolerância, imigração e discriminação, gênero e raça foram as pautas do papo com os profissionais.

Nomes como de Patrícia Vega (Centro de Integração do Imigrante), Gustavo Paiva (Observatório da Educação), Gerson Brandão (Centro Cultural da Juventude), Dudu Braga (Secretaria da Pessoa com Deficiência), Aline Ramos (jornalista – Que Nega é essa?), Renata Prado (produtora – Batekoo) fizeram parte da vivência para aprofundar ainda mais o debate e as percepções das juventudes no Scholas.

Depois das trocas, coleta de dados e demais investigações sobre os temas, no quarto dia, foi hora de definir os compromissos que tomariam para serem parte da mudança que desejavam e, principalmente, elaborar as propostas às autoridades para transformar os números e os cenários das escolas da cidade de São Paulo.

O último dia contou com a presença de Nádia Campeão, vice-prefeita e Secretária Municipal de Educação, Ana Estela Haddad, Primeira-dama da cidade de São Paulo e de Marianne Pinotti, Secretária Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, como autoridades para receber as propostas que os estudantes elaboraram ao longo da semana.

Mais do que firmar os compromissos e apresentar as propostas às autoridades presentes, o último dia foi para manifestar os anseios diversos que fazem parte das juventudes da cidade de São Paulo e para se fazer ouvir muitas vozes. Teve sapateado, funk feminista, peça de teatro, dança, música, poesia, graffiti.

A experiência transformou não só a vida dos estudantes mas também de todos aqueles que, de alguma forma, se envolveram nesse processo de investigação, de descobertas e criação coletiva. A passagem pela Argentina, a troca entre seus pares, novas perspectivas, a atuação como facilitador/a no processo de formação de jovens, novos aprendizados, novas desconstruções. Os jovens monitores/as culturais vivenciaram dias intensos em meio às suas próprias inquietações e aos questionamentos e desejos de indivíduos que lutam por transformações não só em suas escolas, mas na sociedade, e que mostram que, para protagonizar suas próprias histórias, a idade pouco importa.

 

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