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(Re)contação de histórias: vivências na arte de contar histórias e jogos preparativos para a performance criativa fazem parte da formação das bibliotecas

As oficinas ocorreram em dois momentos de março no Auditório da Ação Educativa e na Biblioteca Monteiro Lobato

A arte de contar histórias é uma das ocupações da imaginação humana mais longínqua de todas. Antes da invenção da escrita por povos mesopotâmicos e mesmo após, a tradição oral foi um oceano muito navegado e até hoje é revisitado e imprescindível ao homem.

Tendo como base as “boas histórias que ficam vivas dentro da criança, dentro da gente, principalmente quando contadas de forma que nos identificamos“, Juliana Mado, criadora da Cia. Ju Cata-Histórias, tem como missão formar “o verdadeiro contador de histórias que sabe contaminar o que conta com suas próprias experiências e visões, de forma a envolver o público e preservar a história”.

Juliana esteve presente nas segundas-feiras (09/03 e 23/03) com os/as jovens monitores/as culturais das bibliotecas. No primeiro encontro, contou um pouco de sua vivência junto à companhia e propôs dinâmicas, na perspectiva de nutri-los com a prática da contação de histórias e com o intuito de cada jovem aplicá-la em seu equipamento.

Duas dinâmicas chamaram a atenção: na primeira, a arte-educadora solicitou que os/as jovens formassem dois grupos com a mesma história em mãos a ser lida. Ocorrendo simultaneamente, e em voz alta e clara, o mesmo trecho foi lido duas vezes provocando a turma quanto à forma com que cada um lê a mesma história.

Na segunda, os jovens se organizaram em sete grupos e escolheram diversos instrumentos musicais, entre flautas, apitos, chocalhos, para musicar histórias que foram contadas por um membro do grupo.

Ao final da oficina, eles e elas sentaram em roda e dialogaram sobre as atividades apresentadas, contando como podem aplicá-las em seus equipamentos e para diversos tipos de faixas etárias.

Jogos preparativos para a performance narrativa

Dando continuidade à oficina anterior, Juliana iniciou uma dinâmica com o objetivo de aquecer o corpo dos jovens e conectá-los com o momento. Propôs que todos ficassem de pé, formassem uma roda, e, de olhos fechados, dessem as mãos. Neste momento, foram transmitidos alguns sinais pelas mãos da arte-educadora ao jovem ao lado, que passaria por toda a roda e teria de chegar de volta à Juliana.

No final da dinâmica, os jovens sentaram-se no chão, também em roda, dando início a um momento de troca de vivências sobre a formação prática dentro das bibliotecas, como atividades, estrutura da biblioteca e relação dos/as jovens com o público.

Depois, iniciaram as atividades práticas que envolveram cantigas populares. Para Juliana, existem quatro momentos fundamentais na contação de uma história. O primeiro é de convocação do público, e isso se dá por meio das cantigas, trava línguas, charadas, ou seja, elementos de tradição oral que cativem e chamem a atenção. o segundo momento, o relaxamento e o aquecimento do corpo são importantes para dar início à introdução da história ao público. No terceiro momento, é onde ocorre a narração em si.

Foi sugerido que cada jovem ficasse deitado, de olhos fechados, e pensasse em uma história para contar. Com a história na cabeça, começar lentamente a se mover pelo espaço, ainda de olhos fechados, e ir descobrindo o seu corpo (unhas, tornozelo, punhos). Quando todos/as já estavam se movimentando pelo espaço de olhos fechados, os jovens puderam abri-los e cada um começou a contar sua história para si mesmo com gestos e fala, e depois, com gestos e falando em uma língua inventada.

No quarto e último momento, o fechamento, Juliana finalizou sua oficina explicando como a captação do movimento e a investigação do próprio corpo são armas fundamentais para se contar uma boa história. Na visão do jovem monitor Adriano Leonel, “as atividades e dinâmica são, mais do que tudo, um processo educativo”.

Saiba mais: Cia. Ju Cata-Histórias

Foto de destaque: Cia. Ju Cata-História