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Vivências culturais: a experiência do Centro Cultural da Penha e da Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura

Jovens Monitores/as do Instituto Pólis e membros do coletivo Escritureiros acolheram as formações e realizaram diversas atividades nos espaços

A segunda-feira (17/08) foi bastante agitada e rica para os jovens monitores/as culturais das Bibliotecas Públicas de São Paulo. Em visita à Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura, localizada em Parelheiros, ao lado do cemitério municipal – importante referência local, o coletivo Escritureiros acolheu os jovens e propôs uma vivência no entorno.

Bruno Souza Araújo, membro do coletivo, explicou a história da biblioteca comunitária: em 2008, o Ibeac – Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário chegou em Parelheiros para desenvolver projetos sociais com seus moradores e ministrou uma oficina de formação sobre os 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos das Nações Unidas. A partir daí, foi despertado nos jovens o desejo de trabalhar a leitura, surgindo então o coletivo Escritureiros, em 2009, que criou a Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura.

Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura, em Parelheiros
Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura, em Parelheiros

Trazendo relatos da consolidação do espaço de 2008 até a atualidade, Bruno contou que “antes a biblioteca ocupava uma sala no posto do AMA e, em determinado momento, tiveram que sair pois iria se transformar em sala de dentista. Como não tinham para onde ir, entraram em contato com a administração do cemitério, que é privada, e conseguiram o espaço que foi casa do antigo coveiro”.

Após este momento, os grupos se dividiram. Uma parte conheceu o cemitério e outra parte o espaço da biblioteca, revezando-se. Os Escritureiros proporam uma brincadeira em roda junto aos jovens e exibiram uma série de vídeos de atividades que ocorrem no espaço, como o Sarau do Terror, o Ônibus Biblioteca, o Manancial de Cultura, entre outros.

No final da vivência, os jovens fizeram dança de roda e colaram lambe-lambe com suas produções artísticas nos muros próximos à biblioteca. Eles também dividiram com o coletivo suas impressões do dia, explicitando como é importante o protagonismo da juventude neste espaço. Elogiaram o profissionalismo e a beleza do trabalho dos Escritureiros, dizendo que “apesar de estar ao lado do cemitério, este espaço é orgânico e vivo, porque os jovens fazem a diferença”, relata a jovem monitora Bruna Cristina.

Vivência no Centro Cultural da Penha

Do outro lado da cidade, os jovens monitores/as do Centro Cultural da Penha (CCP) realizaram um dia de acolhimento e atividades aos jovens monitores/as culturais do CCJ – Centro Cultural da Juventude.

Em visita guiada, os jovens explicaram cada espaço do CCP: a Biblioteca José Paulo Paes, o Teatro Martins Pena, o Telecentro, o Espaço Cultural Mário Zan, além dos estúdios de gravação e das salas de estudo em todos os andares do prédio.

Visita ao Centro Cultural da Penha
Visita ao Centro Cultural da Penha

Saindo do prédio do CCP, os jovens dirigiram-se ao Memorial Penha da França, localizado ao lado do centro cultural, e que reúne um importante acervo histórico e fotográfico do bairro da Penha.

A última visita na parte da manhã deu-se na Igreja Nossa Senhora do Rosário, onde o padre Henúbio recebeu os jovens e explicou a história do lugar, fundado no início do século XIX por escravizados e que pertenceu à Irmandade do Rosário, importante grupo na luta contra o trabalho escravo e que foi extinto por motivos políticos.

A igreja é uma mais antigas de São Paulo e também ponto de encontro muito tradicional da preservação da africanidade. Atualmente, realiza toda primeira semana do mês uma missa afro para moradores e moradoras da região.

À tarde, em roda, os jovens dialogaram junto a Vinicius Almeida, coordenador de esportes do CEU Tiquatira; Cátia Costa, coordenadora Casa Azaléia; e Jhonny, grafiteiro atuante na zona leste, sobre o tema “Território e Cultura”. Um dos pontos que surgiu no diálogo foi sobre a diferença de públicos que há no CCJ e no CCP.

“No CCJ o público é mais espontâneo e participa de uma forma mais presente no equipamento”, afirmou a jovem monitora do CCJ Yasmim Frajuca.

“No CCP, o papel da articulação com as escolas e outras organizações no entorno é importante para trazer, principalmente, os jovens para dentro do centro cultural”, afirmou Rafael Fialho, jovem monitor do CCP.

Ao final do dia, montou-se um varal de fotos para construir uma narrativa dos jovens do Instituto Pólis e da Ação Educativa dentro das formações teóricas e práticas. Muitos jovens ressaltaram a vivência deste dia.

Foto de destaque: José Cordeiro (SPTuris)